ESCLEROSE MÚLTIPLA

DESCRIÇÃO

A Esclerose Múltipla (EM) é doença autoimune, inflamatória, desmielinizante e crônica do sistema nervoso central (SNC), mais comum em adultos jovens. Em muitos países é a principal causa de incapacidade em adultos jovens. Na média, existem duas vezes mais mulheres do que homens com EM e a média de idade para o aparecimento é de 30 anos. Enquanto algumas pessoas com EM convivem com pouca incapacidade durante a vida, em torno de 60% podem tornar-se impossibilitados de andar sem assistência, cerca de 20 anos após o início da doença. Estima-se que aproximadamente 2,5 milhões de pessoas sejam portadoras de EM. No Brasil, aproximadamente 10.376 portadores estão em tratamento; dados da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla registram mais de 30.000 indivíduos com EM. No Brasil, observa-se maior incidência da doença no Sul e Sudeste, o que sugere a existência do fator latitudinal. Trata-se de uma condição complexa e heterogênea devido ao envolvimento de diversos processos fisiopatológicos que incluem inflamação, desmielinização, lesão axonal e mecanismos de reparo. Tais processos caracterizam a EM como uma doença de evolução progressiva e imprevisível.

QUADRO CLÍNICO

 A EM, pela diversidade de lesões e por ser uma doença heterogênea, pode apresentar variações em sua apresentação sintomática e na sua evolução clínica. Os sintomas mais comuns são neurite óptica, paresia ou parestesia de membros, disfunções da coordenação e equilíbrio, mielites, disfunções esfincterianas e disfunções cognitivo-comportamentais, de forma isolada ou em combinação. Alguns casos excepcionais são silenciosos por toda a vida, com descoberta de achados patológicos típicos, através de exame de imagem ou por necrópsia. Entretanto, a maioria dos pacientes com EM apresenta uma história típica. A fadiga é um dos sintomas associados mais frequentes na EM. A observação de que a evolução da doença segue determinados padrões clínicos, levou à descrição de “tipos” ou formas clínicas da EM. Baseado em um consenso de especialistas da Sociedade de Esclerose Múltipla Norte-Americana, a doença pode ser classificada em varias formas de acordo com critérios clínicos caracterizados pela ocorrência de surtos e progressão: recorrente-remitente, primariamente progressiva, secundariamente progressiva, progressiva com surtos, benigna e maligna. Surtos, também denominados de ataque, exacerbação ou recidiva, é a ocorrência, recorrência ou agravamento de sintomas de disfunção neurológica com duração igual ou superior a 24 horas, na ausência de febre, aumento de temperatura ambiente e/ou infecção (incluindo dados de história de caráter subjetivo ou de anamnese). Após o surto, ocorre estabilização do quadro clínico com recuperação completa ou parcial. Todas as alterações neurológicas que ocorrem dentro de um mês pós-surto pertencem ao mesmo evento.

Diagnóstico

O diagnóstico se dá com exames laboratoriais, do líquido cefalorraquidiano, por anamnese do paciente e imagens da medula e encéfalo por ressonância magnética, que demonstrará lesões características de desmielinização, assim permitindo que o diagnóstico seja feito em um estágio mais inicial possível. Testes de potencial evocado medem a velocidade da informação através dos caminhos neurais.

Tratamento

O tratamento é baseado no uso de imunossupressores, corticoides, plasmaferese e beta-interferon. Também podem se utilizar anticorpos monoclonais desenvolvidos para poupar as lesões na bainha de mielina dos nervos e lesões do sistema nervoso central (cérebro e medula), tais como ocrelizumabe, natalizumabe e alemtuzumabe. Fisioterapia especializada auxiliar no retorno da força muscular e função.

Links úteis

http://abem.org.br/wp-content/uploads/2016/02/Atlas_EM_2013_FINAL_ABEM_baixa.pdf

Márcia Gomes Alcântara

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