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SÍNDROME DE RAYNAUD E DEDOS ROXOS


Também conhecida como fenômeno de Raynaud, esta síndrome pode se apresentar de diferentes maneiras e os sintomas podem variar em intensidade, mas é algo sempre  desconfortável, e em algumas pessoas pode causar dor incapacitante.

Qualquer contato com objetos gelados pode causar um espasmo nas artérias dos dedos, impedindo o sangue de alcançar as extremidades. Estas ficam brancas e há uma sensação de anestesia. Depois de alguns minutos (que podem se estender por horas) o sangue retorna a circular, mas com baixo teor de oxigênio, deixando a ponta dos dedos azuis ou acinzentadas. O fenômeno pode acometer todos os dedos ao mesmo tempo, ou somente 1-2 dígitos. Em raras ocasiões toda a mão pode ser envolvida, junto com os pés, a ponta do nariz e orelhas.

Quando o sangue começa a circular com oxigenação normal há um retorno da cor avermelhada das extremidades, mas junto à cor vem também a sensação de dor e formigamento, quando as terminações nervosas reagem à falta de oxigênio.

O mecanismo da síndrome é uma anomalia na circulação arterial periférica, usualmente nos dedos das mãos, mas em alguns casos incluindo os pés, e afeta cerca de 8% da população, sendo mais comum em mulheres numa proporção de 5:1.

Uma pessoa pode ter síndrome de Raynaud de forma primária – ou seja, sem associação com outra doença qualquer, ou pode ser associado a outras doenças do sistema vascular, como aterosclerose. Pacientes com doenças autoimunes, como esclerodermia e lúpus, ou pacientes fazendo uso de drogas que causem vasoconstrição, incluindo anfetaminas e beta bloqueadores, também podem ser afetados.

COMO EXPLICAR O QUE ACONTECE?

Numa situação de baixa temperatura ambiental, as defesas naturais do corpo tendem a preservar os órgãos vitais à custa dos apêndices periféricos.  Na síndrome de Raynaud parece ocorrer uma reação exagerada ou hipersensibilidade a pequenas mudanças de temperatura. Situações de estresse físico e/ou emocional também podem desencadear o fenômeno.

DIAGNÓSTICO

Pessoas com síndrome de Raynaud devem relatar os sintomas ao seu médico, pois o fenômeno pode ser um sinal de comprometimento do sistema autoimune. O primeiro passo é diferenciar a forma primária da síndrome de Raynaud daquela secundária. Exame físico detalhado, exame de capilaroscopia (visão com microscópio dos capilares das pregas ungueais dos dedos das mãos, exame indolor) e testes imunológicos são importantes para o diagnóstico e tratamento adequados.

PROGNÓSTICO

Ataques frequentes de fenômeno de Raynaud podem causar dano cumulativo ao sistema de microcirculação, o que aumenta a sensibilidade do sistema vascular e com isso aumentam as chances de um novo ataque. É como um círculo vicioso. A pele dos dedos pode se tornar fina e perder a sensibilidade e as unhas podem ter crescimento lento. Casos mais severos podem se acompanhar de ulcerações e gangrena. Casos mais extremos geram o chamado fenômeno de Raynaud sistêmico, em que há vasoconstrição reflexa de vasos arteriais no coração, rins, pulmões e esôfago. Os sintomas daí recorrentes podem ser variados, como angina ou hipertensão e falência progressiva da função renal.

COMO EVITAR OS SINTOMAS/TRATAMENTO

Evitar a exposição ao frio é a melhor e única maneira de prevenir um ataque. Usar roupas quentes e confortáveis sempre que for necessário enfrentar baixas temperaturas. O uso de luvas para lidar com objetos gelados é imprescindível. Como o fenômeno está relacionado com vasoconstrição, o uso excessivo de cafeína ou o hábito de fumar estão contraindicados. Nos casos mais severos pode ser indicado o uso de medicação para o relaxamento dos vasos sanguíneos – somente seu médico pode avaliar qual o remédio que pode ser usado.

Originalmente publicado na Revista ARTHROS – Artrites e Reumatismos, Ano V  n° 23.