ALOPÉCIA AREATA


Definição

A alopécia areata é doença autoimune que possui um mecanismo fisiopatológico ainda não totalmente elucidado, sendo considerada como uma dermatose de perda folicular sem acometimento cicatricial (podendo ou não ser reversível). Pode afetar desde 0,5% a 2% da população mundial. Alguns dos principais indicativos para relacioná-la à autoimunidade seriam o acometimento concomitante a outras doenças autoimunes, a resposta relativamente positiva ao tratamento com imunossupressores, e a recente identificação de participação de linfócitos T na fisiopatologia da perda folicular. 

Quadro Clínico

A presença da doença pode ser suspeitada a partir da identificação de perda folicular, mais associada ao couro cabeludo mas podendo surgir em qualquer parte corporal com crescimento até então normal de folículos pilosos, como sobrancelhas, barba e cílios. É frequente, no acometimento em couro cabeludo, o surgimento de placas de perda folicular em formato circular.

Diagnóstico

O diagnóstico é comumente clínico, envolvendo anamnese e exame físico mais detalhados, podendo ser acrescido de exames tricológicos como a “tricoscopia”, contribuindo à validade diagnóstica. Dentre os achados clínicos identificados durante o exame físico estão a distribuição irregular de placas de perda capilar no couro cabeludo; caráter eritematoso e/ou edematoso; e “teste de tração” positivo nos folículos à periferia das placas (perda capilar ao estímulo de tração). Dentre os achados encontrados durante análise tricoscópica, estão: a presença de cabelos “vellus curtos” (folículos macios, finos e pouco pigmentados); folículos de diferentes comprimentos; presença de pontos amarelados (acúmulo de secreção sebácea nos infundíbulos vazios do folículo piloso). Também pode haver presença de “pelos em ponto de exclamação” (base afilada e haste distal do folículo com espessura maior). Outro meio de realizar a confirmação diagnóstica é através de exame anatomopatológico da região, podendo-se identificar grupamento linfocítico peribulbar, comumente constituído de linfócitos T CD4+/CD8+.

Tratamento

Para a alopécia areata não há um tratamento específico, que venha a curar ou amenizar seguramente a sintomatologia. Entretanto, já está bem descrito que o mais viável seria a implementação de agentes imunossupressores sistêmicos quando o tratamento tópico não for suficiente (em geral à base de corticóides tópicos ou injetáveis, diretamente nas lesões). Tofacitinib pode ser útil quando outros recursos falharem. Em alguns casos os sintomas podem desaparecer dentro de até 1 ano sem qualquer intervenção. Sendo assim, a indicação para tais casos seria de observação constante da evolução do quadro clínico e acompanhamento psicológico para com o paciente, devido ao desgaste emocional que tal acometimento pode acarretar.

Links úteis

http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=265549461012  ISSN 1984-5510

https://www.nature.com/nm/journal/v20/n9/full/nm.3645.html

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962011000500034

Hiroyuki Otsuki Guimarães